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Eu, Maria das Dores, me Confesso

A publicação de hoje é capaz de gerar alguma controvérsia, uma vez que é sobre um livro polémico.

Eu, Maria das Dores, me Confesso, de Maria das Dores com Virginia López fala sobre como uma mulher chega ao ponto de desespero para mandar matar o marido.

Não deixa de ser um livro escrito por uma assassina que perdeu todo o amor próprio e acabou por mandar matar alguém. O que me levou a ler este livro? Sobretudo a curiosidade, recordo-me que na altura ela foi entrevistada pela Cristina Ferreira e foi capa de revista. Muita tinta correu sobre o assunto, como poderia uma mulher tão influente como a Cristina Ferreira dar voz a uma mulher que tinha mandado matar o próprio marido.

Julgada nos Tribunais e em Praça Pública, Maria das Dores nunca teve a hipótese de dar a conhecer a sua história. Os jornalistas não deixaram, foram rápidos no julgamento, embora na Lei esteja previsto o Direito de Resposta, Maria nunca o exerceu.

Atenção que não defendo ninguém. Mas é mais fácil julgar uma socialite, do que de facto perceber que a senhora teve um trabalho (e dos bons), subiu na vida, estudou e que o marido que acabou morto não era nada quando a conheceu. É muito fácil julgar, quando se vê apenas um lado.

Maria, hoje arrepende-se do que fez, confessa que sim que foi ela que fez a fatídica chamada, mas alerta para o estado em que estava, e é nisso que eu me foco. Quantas mulheres chegam a este ponto de desespero? A este acto de loucura de querer tirar a vida a alguém, só porque quer que essa pessoa sofra.

Ela perdeu a razão no momento em que encomendou aquele trabalho. Por isso espero que este livro seja uma chamada de atenção para aquelas mulheres que estão neste limbo. Recordo aquela professora na Chainça que simplesmente matou o marido e foi apanhada por uma casualidade. Aguarda sentença em casa com os filhos, por se considerar que havia violência doméstica e a única pessoa para quem ela apresentava perigo já estava morta. O acto de matar fez delas criminosas, sim, mas será que não merecem ainda assim ser ouvidas?

Maria das Dores perdeu mais que um marido, pelo meio perdeu o direito ao seu filho mais novo, aquele menino que lutou tanto para conceber. Aquele menino que por causa de um acto de irresponsabilidade do marido, também já tinha perdido parte dos primeiros meses de vida.

Confesso que estes livros reais, sobre pessoas reais, com crimes reais, são o meu guilty plesure. Por mais chocantes que sejam gosto de lê-los, gosto de perceber o que vai no outro lado.

O livro tem uma narrativa fácil, um ritmo agradável e não deixa nenhum facto de fora. Recomendo, sobretudo a quem gosta de perceber o outro, mesmo que esse outro seja um assassino. Deixo-vos o link para os aventureiros!

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