Os ensinamentos do Monge

Há uns anos refugiei-me no Centro Budista Kadampa, em Sintra. Estava cansada, desgastada, desmotivada, sentia que era altura de parar e cuidar de mim. Assim durante 4 dias desconectei do mundo e de tudo o que me ligava a ele e dediquei-me a sentir.

Uma vez no templo fazia uma vida simples, de manhã acordava pelas 7h e ia até ao templo, onde com um monge fazia as prostrações aos Budas. Aquele momento energizava todos os meus chakras e dava-me força para começar os dias.

Voltada à sala de refeição tomava o pequeno almoço preparado por esse monge e enquanto esperava conversava sempre com outro que só de sorrir para mim, já me transmitia paz. As conversas eram sempre breves, mas carregadas de sabedoria… Hoje decidi começar a partilhá-las convosco.

#1

“Já quis ser importante, já quis ser útil, agora apenas quero ser desnecessário” disse-me com um sorriso de paz… via nos meus olhos o espanto e emanava tranquilidade.

“Desnecessário?!” interroguei “Sim, Margarida, Neutro! Estou aqui para servir e tu também! E assim que perceberes que tens os teus guias contigo irás estás mais tranquila, sê a primeira a ser humilde e a última a ter razão… É uma coisa interior, assim que largares o ‘eu’, assim que largares a expectativa, vai ser tudo mais tranquilo. Foca-te no coração, não esperes nada, dá apenas e quando os outros percebem que já não queres ter razão, e aí também eles a irão abandonar.

Foca-te no servir, foca-te na pessoa sem-abrigo e quando te focares nisso o teu trabalho será ainda mais belo!

Desapega-te do terreno, desapega-te dos vícios, desapega-te das coisas… elas continuam a funcionar enquanto estás aqui… os comboios não param, as pessoas não param de morrer, nada! Apenas tu te retiraste para olhar para o coração, foca-te no servir, muda e os outros irão perceber…

Vive as tuas coisas, você pode comer este pão com queijo comigo, mas a única coisa que estamos de acordo é que isto é pão e queijo, a nossa maneira de saboreá-lo é diferente. Porque está em si.

A responsabilidade está em cada um de nós, não no outro, você aponta para o outro o que você espelha, se você disser que sinta inveja de si, é porque sente inveja de mim, você vê em mim o que vive, é porque você vivencia a inveja. Não há inimigos, nós é que os criamos. Abra o seu coração, está tudo aí e nem precisa de saber porquê, nada, se o caminho não deu, não deu, siga outro, não pergunte porquê viva.

Estamos aqui para servir o outro e desfocamo-nos do caminho com o Eu… Você já o faz, por isso largue as expectativas e as guerras e fará o seu trabalho com uma perna às costas.

Seja a primeira a ser humilde e a última a ter razão, pois só levará daqui o que trouxe!

Confie nos seus guias, vai tudo correr bem!”

Abraçou-me e partiu, deixando em mim a paz, a tranquilidade e o ensinamento de um Buda tranquilo.

“Aceite a derrota, dê a vitória”

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