Voluntariado

(Re)descobertas em tempos de confinamento

Em 2017 tirava eu esta fotografia, com uma das minhas companheiras de volta na altura. Agora em 2021 recordo essa visita com muita saudade, embora com um sorriso na cara. No domingo, voltei ao Centro de Reinserção da Quinta do Espírito Santo da Comunidade Vida e Paz, para ‘fazer Natal’.

Sim, sim fazer Natal, mas já lá vamos. Na Comunidade Vida e Paz sempre tive uma ligação muito especial à Quinta do Espírito Santo, não sei se pela história, se pelo local, pela gente ou pelo facto de ter adotado ali um dos meus primeiros gatos. Se calhar foi por tudo. O que é facto é que sempre gostei de ir ali, e já há algum tempo que não ia.

Em 2020, não fizemos a tradicional festa de natal da instituição, de pandemia no ar, os voluntários tiveram que reinventar esta ação que trazia serviços e animação a pessoas em situação de sem-abrigo e aos utentes da casa. Um dos momentos de reinvenção foi, de facto, juntarmos esforços para trazer um natal a quem, internado nas três comunidades terapêuticas e de reinserção, não ia a casa para o Natal. Por isso realizamos desejos. Junto de benfeitores angariamos dinheiro e cada centro teve direito a uma prenda individual e coletiva. Na prenda coletiva a Quinta do Espírito Santo pediu televisões.

Sábado fomos entregá-las e ficamos maravilhados!

As televisões faziam parte de um plano maior para trazer mais conforto aos utentes do Centro. Duas ficaram nos quartos de isolamento, de forma a trazer alguma companhia a quem é obrigado a passar ali dias a fio.

Outra foi para a sala exterior, mesmo junto à sala com mesa de bilhar, onde respeitando todas as regras, podem conviver e jogar. A mais impactante, foi a destinada à sala de cinema, que criaram.

Em tempos em que não se pode sair, o centro dinamizou a biblioteca, criou uma sala de cinema, melhorou a sala de informática e estão a criar um centro de bem-estar. Tudo na Comunidade onde residem.

A sala de cinema carecia de uma televisão que lhe desse nome, já com leitor de DVDs à espera foi só colocá-la na parede. À sua volta livros enchiam estantes, a biblioteca começava a crescer (e ainda vai crescer mais!), o ambiente era de festa. Chegara o presente que tanto esperavam.

Bem no canto da nova sala de cinema, encontramos o painel QES de LÉS a LÉS, mais uma atividade desenvolvida pelo centro para a ocupação dos tempos livros. Todos os meses um utente vai para a cozinha e ensina/ prepara com os cozinheiros um prato tadicional da sua zona. Soubemos que em janeiro chegaram à Ucrânia, fazendo uma sopa tradicional.

Confessaram-nos que agora em fevereiro deviam “viajar” até Cabo Verde, para provar uma das suas iguarias.

Saindo do cinema, continuando na tecnologia, fomos conhecer a sala de informática (outra novidade para mim), aqui os utentes além das aulas com uns com outros, também têm formação com os técnicos. Quem nos mostrava trazia consigo o sorriso de quem conquistara mais um espaço lúdico e de aprendizagem.

Mesmo ao lado estava a menina dos olhos da diretora, a nova sala de bem-estar. Esta sala foi criada para incentivar os utentes a cuidar de si, ainda em fase de construção, tem como objetivo ser uma ‘loja’ e um barbeiro. Nas suas prateleiras vão ser colocadas as roupas doadas, para que cada pessoa possa ir e ter a oportunidade de escolher como se estivesse num shopping. Ali, também será possível cortar o cabelo, falta ainda o material e a formação para os técnicos e os utentes que queiram aprender. “Começamos por usar o que tínhamos em casa, aproveitando móveis e materiais, depois vamos ao resto.” – explicou-nos a diretora muito orgulhosa do projeto.

Pelo caminho ainda passamos na capela, onde ficamos a saber que formaram um coro, e que à falta de professor de canto, uma das funcionárias do centro dava as aulas de música.

Dentro do que foi (e está a ser) uma pandemia, o espaço ganhou uma nova vida. Técnicos e utentes unem-se para concretizar novos projetos, com o objetivo de trazer dinâmica e animação aos dias que passam confinados ao centro.

Eu fiquei com vontade de oferecer uma máquina de pipocas ao centro, isto porque eu vou ao cinema para comer pipocas. =P Além desta vontade, algo em mim disse que podia fazer mais qualquer coisinha, por isso passem por aqui e vejam como todos podemos apoiar a Oficina de Artes 🙂

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