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A Prisioneira do Tempo, Patrícia Madeira

É de uma autora portuguesa, é com certeza uma autora portuguesa! Este é o primeiro livro da autora, Patrícia Madeira, um romance histórico, mais didático que muitas aulas que tivemos!

Os romances históricos não costumam ser a minha praia, mas este foi especial! Quando a autora me abordou fiquei muito curiosa e depois das opiniões que li e da conversa que tive com uma bookstagrammer cheguei à conclusão que tinha que conhecer esta história.

Manuela, a personagem principal, viaja acidentalmente no tempo depois de saber que a sua mãe faleceu. No desespero entra no mar em Lisboa e sai do mar em Recife, pior que ter mudado de país foi ter mudado de século, ela está agora em 1813.

Sem perceber o que lhe aconteceu, vai ter que se adaptar a toda uma época onde na sombra cresce a Revolução Pernambucana. Pelo caminho apaixona-se por um militar, juntos vão viver um amor apaixonante que nos faz sonhar.

Manuela vai cruzar-se com figuras históricas, conviver com a corte e sem alterar a história, vai assistir a momentos marcantes. Nós deste lado vamos aprendendo, relembrando e assistindo àquilo que é alguém com a mente do século XXI ter que viver no século XIX.

Sem nunca adulterar a história, Patrícia consegue encaixar as estas personagens na época de forma genial. Ao longo do livro são abordados temas muito interessantes desde o óbvio, a escravatura, ao mais recatado, a homossexualidade. Pelo caminho ficamos danados com a subserviência das mulheres na época e com a casa dos expostos.

Qualquer história da roda nas vossas aldeias é mais simpática que a imagem desta casa. Em 1813, Manuela deverá ter sido das primeiras mulheres na história do voluntariado junto das crianças e junto dos escravos.

Foi uma narrativa que me fez sonhar, elaborar mil teorias sobre a razão pela qual ela viaja no tempo e pela forma. Manuela acaba por ser também uma lição de compreenção e luta, pois apesar de se tentar adaptar à época, nunca deixa cair os seus ideais.

Uma leitura que eu recomendo vivamente. Se estão à procura de um livro que vos faça companhia na praia, este é o vosso companheiro. Pelo caminho além da aula de história ainda aprendem sobre as propriedades das plantas e as suas funções curativas.

A narrativa é fluida e cativante, tem alguns momentos mais parados, que são precisos para que não se perca o enquadramento histórico. Como seria de esperar a descrição é predominante neste livro. O que faz com que facilmente sejamos transportados para a época em questão, transformando-nos em telespectadores de todos os momentos. O meu envolvimento foi tão grande que confesso que chorei muitas vezes com as personagens.

Aviso à navegação é um livro grande, mas é também um grande livro. Parabéns Patrícia!

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